segunda-feira, 12 de abril de 2010

"O mistério do lápis de Adilson"-5a,b,c

__Professor, meu lápis sumiu! Pegaram o meu lápis.
A classe, de ponta a ponta, da porta à janela, do teto ao chão, do fio de cabelo ao pé, calou-se. Fez-se um silêncio cheio de barulho dos olhos que se moviam na direção do autor da exclamação.
Era Adilson Barriga Vazia, apelido que recebera por nunca levar lanche e sempre beliscar um pedacinho do alimento do colega mais próximo.
De novo sua súplica:
__ Professor, roubaram meu lápis! Meu lápis de estimação.
A palavra estimação deu novo ânimo ao fato. Mas tudo de Adilson era de estimação, recordação, lembrança, etc.
O professor, meio sem jeito e sem saber o que fazer para solucionar o problema, deu um palpite:
__ Procure melhor, Adilson. Pode estar perdido entre suas coisas.
A resposta do Barriga veio logo:
__ Não está, não. Eu já procurei.
A classe impacientou-se. As sugestões começaram a aparecer.
__Não saia do lugar, Barriga Vazia, vamos chamar detetives.
Risos.
__ Precisamos encontrar pistas.
Mesmo brincando e gozando da situação, ninguém queria levar para casa a suspeita de ter roubado o lápis de Adilson.
__Isso vai dar livro: O mistério do lápis de Adilson.
__ Vai dar novela: “Recordações de um lápis sumido”.
__ Ora, pessoal. Nada disso. Qualquer coisa que acontece, lá vem vocês com esta conversa de crime, detetive, pistas... Acho que andam vendo televisão em demasia – justificou uma garota de óculos de aro fino.
__ Podemos resolver o problema de outro modo.
__ Qual é a sua sugestão? – perguntou-lhe o professor.
__ Procurar em toda a sala, para tirarmos a suspeita que pesa sobre nós. Se não acharmos aqui... Como fica?
__Fica a certeza de que ninguém pegou o lápis do Adilson.
A proposta foi aceita, mas ainda sobraram algumas brincadeiras.
__ Precisamos de um detetive!
__Um roubo sem solução!
Feita a busca em toda a classe, nos bolsos, nas bolsas, nos cantos, no cesto de lixo... Nada. Só ficou faltando o próprio Adilson.
__ Agora é sua vez, Barriga Vazia.
__ Mas... Eu sou o dono... Eu já olhei...
__ Nada disso. É sua vez.
Sem saída, Adilson deixou-se ser revistado. Procuraram e procuraram. Encontraram muitos lápis no material do Adilson, mas ele se limitava a dizer:
__ Não é este... Nem este... Nem este...
O lápis não foi encontrado, a aula continuou e todos levaram a suspeita para casa.
Algum tempo depois, Adilson, conversando com um de seus colegas de classe, confessou-lhe:
__ Não havia lápis de estimação. Eu inventei o lápis e o sumiço.
Curioso, o colega perguntou:
__ Por que você fez aquilo?
Adilson fez cara de mais esperto e respondeu:
__Porque a aula estava muito chata e eu quis movimentar o ambiente!
GARCIA, Edson Gabriel. Meninos & meninas. São Paulo, Loyola, 1 990



Produzindo o texto:



Quando Adilson disse que haviam roubado seu lápis de estimação, a aula ficou bem agitada. Escreva no caderno sobre um acontecimento que ocorreu em sua sala de aula ou no pátio da escola e que agitou o ambiente.
Siga o seguinte roteiro, procurando dar início, meio e fim para a história que você vai narrar, isto é, contar:
· Onde e quando ocorreu a agitação?
· Qual foi a causa, ou seja, por que aconteceu esse fato?
· Como foi a agitação?
· Como ela terminou?

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